Exames para identificar o início da menopausa
Postado em 26/07/25
Embora o diagnóstico da menopausa seja primordialmente clínico — baseado em anamnese detalhada, ciclos menstruais irregulares, sintomas como fogachos, secura vaginal e alterações de humor — os exames hormonais são úteis nos casos em que há suspeita de menopausa precoce ou apresentação atípica, e também para planejamento terapêutico individualizado.
1. Dosagens hormonais no sangue
- FSH (hormônio folículo‑estimulante): habitualmente elevado durante a transição para a menopausa; valores acima de 30 mIU/mL indicam queda da função ovariana, especialmente se repetidos com intervalo mínimo de 6 semanas entre dois testes.
- LH (hormônio luteinizante): geralmente aumentado, embora com menor magnitude que o FSH — serve como complemento diagnóstico quando há suspeita de falência ovariana.
- Estradiol (E2): níveis reduzidos reforçam a avaliação clínica; útil especialmente para mulheres com sintomas relacionados à deficiência de estrogênio (secura vaginal, libido reduzida, risco ósseo).
2. Exames adicionais hormonais
- Progesterona: pode mostrar irregularidade da ovulação durante a perimenopausa, manifestando-se em níveis baixos na fase lútea.
- Testosterona total e SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais): ajudam a avaliar status hormonal global, especialmente em sintomas como fadiga, diminuição de libido ou perda de massa muscular.
- para descartar causas alternativas de amenorreia, como prolactinoma ou disfunção hipofisária.
- TSH (hormônio tireoestimulante): exame essencial para excluir distúrbios da tireoide, que podem mimetizar sintomas da menopausa, como fadiga e ganho de peso.
- Hormônio antimülleriano (AMH) e Inibina B: ainda mais usados em avaliação da reserva ovariana, podendo prever aproximação da menopausa ou falência ovariana prematura; não são exames de rotina para diagnóstico definitivo da menopausa.
3. Exames de imagem e comorbidades associadas
- Densitometria óssea: importante para avaliar perda de massa óssea já iniciada no climatério e prevenir osteopenia ou osteoporose.
- Mamografia e ultrassonografia das mamas: indicadas conforme protocolos de rastreamento; fundamental após os 40–50 anos para detectar câncer de mama precocemente.
- Ultrassonografia transvaginal/pélvica: avalia estrutura uterina e ovariana, identificando miomas, cistos ou espessamento endometrial, principalmente se houver sangramento irregular ou atipias.
- Avaliação cardiovascular e metabólica (perfil lipídico, glicemia de jejum): recomendada para estratificar riscos aumentados na transição para a menopausa.
Quando solicitar os exames?
- Mulheres entre 40 e 45 anos com sintomas sugestivos ou irregularidade menstrual: especialmente FSH, LH e estradiol. Exames repetidos após 6 semanas podem ser necessários se houver variação hormonal evidente.
- Suspeita de menopausa precoce (< 40 anos): solicitar FSH, LH, estradiol, AMH e Inibina B para investigação de falência ovariana.
- Sintomas vagos sem amenorreia prolongada: incluir avaliação clínica, hormônios e excluir causas alternativas como hipotireoidismo ou hiperprolactinemia.